O Bechara e a centopeia (sem acento)

Uma barbaridade a historinha da centopeia contada pelo ilustríssimo lexicógrafo-mor da Academia Brasileira de Letras na reunião da ABEU, Evanildo Bechara, no início do mês. Dizia a historinha que a centopeia era o bicho mais rápido de toda a criação, em função de suas 100 pernas. Após uma grande vitória na corrida contra todos os outros animais, a centopeia recebeu da tartaruga a seguinte indagação: “Como você consegue coordenar todas essas pernas e fazer com que cada uma ande no tempo certo?”. A centopeia respondeu: “Eu não penso, eu simplesmente ando”. Mas diz a historinha que daquele dia em diante a centopeia começou a pensar sobre as suas pernas, qual deveria vir primeiro para dar o passo, e desde então ela anda como anda, lentamente.

O problema dessa historinha é que ela serviu de ilustração a uma resposta  dada pelo nobre Evanildo Bechara à simples pergunta de uma professora: “Como faremos para sanar as dúvidas, como explicar aos nossos alunos por que tantas mudanças na língua que estão aprendendo”?

Fora que antes de responder, ele acusou todos os professores brasileiros de ensinar debilmente a Língua Portuguesa, e por isso, segundo ele, é que teremos problemas em apreender as regras do acordo.

Nem sei o que comentar.

Muito tempo se passou…

Céus! eu ainda tenho um blog.

Após tanto tempo em silêncio, vai um desabafo: onde é que já se viu o VOLP mexer em tanta coisa que não foi apontada no Acordo. Vou fazer uma maratona de leitura do VOLP todo…

O retorno da berin(gj)ela

Estamos no mercado, eu e meu irmão, na seção de legumes e verduras. Eis que à nossa frente está uma enorme cesta abarrotada da bendita leguminosa roxa de gosto estranho. Sim, havia um zilhão delas, com uma singela plaquinha anunciando “beringela xx R$ o quilo”. Meu irmão perguntou: “Você já comeu isso?”. Eu: “Não me lembro”. “É assim mesmo que se escreve?”. Essa era a pergunta que eu queria evitar. Afinal, sempre tenho uma boa resposta para o guri. Não foi igual desta vez. Disse: “Pelo uso é com ‘j’, pela origem é com ‘g'”. Próxima pergunta dele: “E você escreve como?”. “Eu não escrevo”…

Quando o revisor é abduzido

Só posso ter sido abduzida pelo espaço de tempo de uma página de leitura. Explico: revisei um livro sobre indígenas em dezembro. Fiquei todo o mês de janeiro de férias. Esta semana retornei e comecei a revisar novamente o mesmo livro. Ao me deparar com a frase que colocarei abaixo, pensei: só pode ter sido uma abdução pelo espaço de tempo de uma página. Não há nada que explique o fato de eu ter deixado passar a incrível soma de duas redundâncias; logo eu, que não contenho o riso diante de uma boa redundância. Não, não sei como explicar, resta me divertir com a frase: “Nesse caso, é o trabalho gratuito de um serviço que culmina com uma festa no final”. Depois da gargalhada, resta lamentar a abdução do revisor no espaço desta frase.

So good to be back…

Hoje voltei a ocupar a mesa grande à esquerda na sala da produção da editora. A caneta vermelha, antes tão familiar, sorriu tímida e saudosa dentro do porta-canetas. É bom estar de volta.

Recebi a notícia (descanso acabou) de que terei de dar um pequeno treinamento para toda a equipe sobre o novo acordo ortográfico. Fiquei ansiosa e preocupada, e mais uma vez senti falta da Fabiana.

Boa sorte pra mim, vou precisar.

Meu cérebro tirou férias

Desde 19 de dezembro eu não reviso um texto. Eu li. Juro. Mas nada muito difícil e que faça pensar. As férias sempre trazem uma preguiça congênita: meu cérebro simplesmente “puf” desacelera. Tive de pensar três vezes ao responder para minha tia por que “heróico (heroico)” não é uma proparoxítona. Isso sem falar que há anos eu não dizia “pra ti usar”. A Fabiana tinha me curado. Primeiro do “mim”, e depois com muita paciência do “ti”. Isso uns 4 ou 5 anos atrás. Hoje falei, com todas as letras, “isto serve pra ti usar, Karine”. Alguém tem uma gramática aí?

Boas férias e boa mudança para a Fabi. Saudades dela.

Ao Pablo: gostei da cara nova dada ao blogue.

Ao Alex: gostei de teres entrado aqui, serás sempre bem-vindo.

Se minha vida virasse livro

Se minha vida fosse contada em livro, gostaria de ver as partes engraçadas relatadas por Luis Fernando Veríssimo, as partes tristes por Fernando Pessoa, as românticas por Pablo Neruda, as sombrias por Edgar Allan Poe e as idealistas por Eduardo Galeano.

Abraços ao Pablo, que foi o provocador deste pensamento.

Abraços à Fabi, de quem tenho saudades. Se minha vida virasse livro, ela seria a revisora, sem dúvida.

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