“Caipifunkfest”

O ser humano é o bicho mais adaptável do planeta. Se, por exemplo, colocarmos um urso polar no litoral catarinense, ele vai morrer (literalmente) de calor. O ser humano, se colocado em qualquer canto do planeta, sobrevive e acha uma forma de ganhar dinheiro com o ambiente.

Com a linguagem fazemos também adaptações, e por mais imbecis que elas sejam sobrevivemos a elas, convivemos com elas. Veja-se por exemplo o anúncio de uma festa colocado na entrada da universidade: “Participe da Caipifunkfest!”. Quando passei pelo tal anúncio, gravei aquele palavrão (sim, pois palavrões são como música ruim: a gente grava com facilidade). Aproximadamente 5 minutos depois, eu entendi do que se tratava: uma festa (fest, festa em alemão) com caipirinha (Caipi) e funk.

Agora não me venham reclamar dos prefixos e da dificuldade de entender a aglutinação das palavras prefixadas em função do acordo ortográfico! Se essa gente consegue se entender com uma miscelânia dessas (caipi: abreviatura de caipirinha + funk, palavra de língua inglesa + fest, palavra alemã), por que é que não entendem as palavras que podem encontrar no dicionário, assim como as estruturas de que tratam as gramáticas? Sim, pois o anúncio possui um enunciador e pressupõe um público. Este público pressuposto na criação do anúncio, para entendê-lo, precisa apenas pensar na junção das palavras, algo nesse caso nem tão difícil, pois por aqui parece modinha criar nomes de festas com as suas características…

O que não entendo é por que conseguem lidar com junção de palavras e entender tais estruturas e não gostar de, ao menos interessar-se por, gramática?

1 Comentário

  1. Mas gramática é chato mesmo! Tô lendo um livro de análise morfo-sintática. Experimenta ler do início ao fim um livro desses :-) .

    Bom, pelo menos agora tenho bastante tempo para isso.

    E o texto do grupo de pessoas com um problema em comum?


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