Ela entra em sua casa sem que ele perceba. Ele, acostumado à companhia de seus livros apenas, não contém o espanto ao ver a sombra do corpo feminino se mover pela sala. É ela. Aquela moça dos cabelos longos e marrons. É dela a lembrança dos momentos das mais felizes trocas de palavras sobre livros, sobre o mundo e sobre estar só. Eles se encontram no meio da sala. Ela chora. Ele entende. O ombro que oferece é sincero.
A conversa desta vez tem um tom mais nublado por causa da dor. Ela sofre por descobrir que cresceu, e que as pessoas grandes não têm tempo para entender a vida, elas vivem.
Ele decide que naquele momento não é e não quer ser seu amigo. Eles se beijam. Eles se movem, eles se envolvem. Ela suspira. O choro se foi. Naquele momento, há entre eles a quebra do tempo, a vontade do para sempre. Eles têm a eternidade tatuada na fronte.
Ele, porém, percebe o devaneio, o insano. Há um outro alguém que espera por ele, em outra parte da cidade. Esse alguém também sente, também sofre, também espera. Na mente dele, há duas mulheres e uma. As duas são uma. Seus cabelos são iguais. A boca desta é daquela. Os ombros, os traços, a volta do queixo. Quem ele ama nem ele sabe. Ele ama? Ele também não sabia por que as pessoas crescem e começam a mentir. Sem querer, sem fugir, ele também havia crescido.
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Texto Bora…
Soube que o P. G. tá dando uma dura em todos! Vai ser a disciplina mais divertida do curso!
No trecho: ” É dela a lembrança dos momentos das mais felizes trocas de palavras sobre livros, sobre o mundo e sobre estar só. ”
deveria haver uma vírgula após ” dos momentos” ?
pergunto porque tenho dificuldades com a vírgula e talvez eu colocasse uma ali…e fiquei com a pulgs atrás da orelha. Entenda que não quero achar que está errada, apenas quero entender.
Gostei do seu espaço. Muito bom. Você escreve maravilhosamente bem.